O HPV é um vírus que se pode transmitir facilmente, sendo que na maioria dos casos o organismo consegue eliminá-lo. Porém, noutras pessoas, o HPV não desaparece e pode causar vários cancros e doenças genitais em homens e mulheres.

O Papilomavírus Humano (HPV) é responsável por:

  • 100% dos cancros do colo do útero
  • 84% dos cancros do ânus
  • 70% dos cancros da vagina
  • 47% dos cancros do pénis
  • 40% dos cancros da vulva
  • 99% dos condilomas ou verrugas nos genitais


Cancro do colo do útero

O que é?

O cancro do colo do útero tem sempre na sua origem a infeção pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco. Este vírus transmite-se facilmente, por simples contacto sexual. É uma infeção muito frequente - 70% dos indivíduos com menos de 50 anos têm ou tiveram a infeção.

Qualquer pessoa pode ser infetada. Não são necessários comportamentos de risco.

A infeção desaparece espontaneamente na maioria dos casos. Não é possível determinar quando persiste e evolui para uma lesão pré-cancerosa (displasia leve/CIN I/lesão de baixo grau; displasia moderada ou grave/CIN II ou III/lesão de alto grau).

Se as lesões deste tipo não forem diagnosticadas e tratadas em tempo útil, podem progredir para cancro, ao fim de alguns anos (10 em média) e, só então, dão sintomas.

Todas as mulheres estão sujeitas à infeção pelo HPV após o início da sua atividade sexual.

Quais são aquelas em quem a infeção desaparece e quais em quem persiste e pode evoluir para cancro? Em rigor, não sabemos. Todas as mulheres são suscetíveis. Tudo depende do(s) tipo(s) de vírus infectante(s) e das defesas naturais da mulher.


Cancro do colo do útero


Como se previne?

A melhor proteção é associar a vacina ao rastreio, com a citologia, também conhecida por Teste de Papanicolaou.

A vacina protege contra a infeção pelos tipos de HPV 16 e 18, que estão associados a 70% dos casos de cancro do colo do útero.

O rastreio serve para detetar precocemente lesões no colo do útero.


Como se deteta?

A realização regular da citologia de 3 em 3 anos permite identificar precocemente lesões no colo do útero. Perante uma citologia anormal, deve fazer-se uma colposcopia, isto é, o colo deve ser observado com auxílio de um microscópio.


Colposcópio

Este exame permite verificar se a mulher tem alguma lesão no colo do útero. A biopsia (retirar um pequeno fragmento de tecido) pode ser obrigatória para determinar que lesão está presente e ponderar o melhor tratamento.


Quais os sintomas?

As fases iniciais do cancro não dão qualquer sinal ou sintoma. Quando o tumor se desenvolve, vai expandir-se progressivamente e nessa altura podem surgir sintomas. Pode aparecer perda de sangue durante as relações sexuais ou corrimento abundante com ou sem sangue, mas de cheiro intenso, seguidas de perdas de sangue espontâneas. Mais tarde podem surgir dores e outras alterações, consoante as estruturas atingidas.



Cancro do ânus

O que é?


Cancro do ânus

O ânus é uma estrutura muscular, que funciona com esfíncter e controla a eliminação das fezes.

Os tumores do ânus são relativamente raros, mas a sua incidência tem vindo a aumentar.

São mais frequentes em mulheres do que em homens, mas o grupo de incidência mais elevada são os homens que têm sexo com homens.

Os fatores de risco com maior impacto são a infeção por tipos de HPV de alto risco, em particular o 16 e 18, e a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).

A pratica de sexo anal, múltiplos parceiros sexuais, história prévia de doença por HPV no companheiro ou companheira, tabagismo e fístulas anais crónicas, são também factores de risco a registar.


Quais os sintomas?

As lesões iniciais não provocam qualquer sintoma. Podem manifestar-se com prurido ou ardor, dor, hemorragia e, nas fases mais avançadas, impossibilidade para controlar a saída das fezes. A presença do tumor pode ser notória conforme as suas dimensões.


Como se deteta?

A presença de sintomas deve obrigar a uma consulta. O diagnóstico faz-se pela observação e toque retal, podendo ser indispensável uma anuscopia ou proctoscopia (exame endoscópico) que permitirá fazer uma biopsia a qualquer lesão, que o justifique.


Como se previne?

A prevenção é, indiscutivelmente, a melhor estratégia. O uso de preservativo permite uma proteção considerável e é aconselhável. A vacina quadrivalente tem resultados de eficácia em homens na prevenção das lesões anais pré-invasivas. No grupo de homens que têm sexo com homens, a vacina revelou uma eficácia altamente significativa.



Cancro da vagina

O que é?

As lesões pré-cancerosas e cancerosas da vagina são muito mais raras. Decorrem da infeção genital por tipos de HPV de alto risco, principalmente o 16 e 18, que são os mais prevalentes.


Quais os sintomas?

A fase inicial da doença não tem qualquer sinal ou sintoma. Só a citologia e o exame clínico com recurso à colposcopia permitem suspeitar da presença de uma lesão e orientar a biopsia.

Os cancros iniciais também não dão sintomas, mas conforme crescem podem provocar perdas de sangue durante as relações sexuais e corrimento de cheiro intenso. Nas fases avançadas podem provocar perdas sanguíneas mais ou menos abundantes, ocupar a totalidade da vagina e invadir os órgãos vizinhos.

O diagnóstico é sempre realizado por biopsia que, nas lesões iniciais, é orientada pela colposcopia.


Como se previne?

A vacina quadrivalente contra o HPV mostrou-se muito eficaz na prevenção das lesões pré-cancerosas da vagina (VaIN3) relacionadas com os tipos 16 e 18 do HPV.

A observação regular e o recurso ao rastreio com citologia permite suspeitar da presença de uma lesão pré-cancerosa e evitar o aparecimento do cancro.



Cancro da vulva

O que é?

As lesões pré-cancerosas (VIN) e cancerosas da vulva são relativamente raras, mas com incidência crescente. Estas lesões podem ter etiologias bem distintas: Por um lado podem estar relacionadas com a infeção por alguns tipos de HPV de alto risco e que são responsáveis por aproximadamente 40% dos cancros da vulva. Por outro lado podem estar relacionadas com processos inflamatórios vulvares crónicos.


Cancro da vulva


Quais os sintomas?

O prurido vulvar crónico é muito característico das lesões da vulva. Raramente a doença é assintomática. A presença de uma lesão branca, avermelhada ou com pigmento escuro deve ser valorizada.

Não existem aspectos clínicos específicos das lesões pré-cancerosas, no entanto as lesões são frequentemente elevadas, papulares e muitas vezes pigmentadas.


Como se deteta?

A observação clínica cuidadosa é fundamental. A ajuda de uma ampliação com lupa ou colposcópio pode ser útil, mas não há exames indispensáveis ao diagnóstico. Quando as lesões não regridem ou se agravam, no tamanho, cor ou integridade da superfície, devem ser biopsadas. Só a biopsia faz o diagnóstico.


Como se previne?

A vacina quadrivalente contra o HPV mostrou-se muito eficaz na prevenção das lesões pré-cancerosas da vulva (VIN3) relacionadas com os tipos 16 e 18 do HPV.

A valorização do prurido vulvar ou de alterações da vulva pode levar ao diagnóstico mais precoce das lesões iniciais e ao seu tratamento, evitando assim o desenvolvimento do cancro.



Verrugas ou Condilomas genitais

O que são?

As verrugas genitais ou condilomas acuminados são lesões de transmissão sexual, que em 90% dos casos resultam da infeção pelos tipos 6 e 11 do HPV. Podem surgir em homens e mulheres, em todas as áreas de contacto sexual. Na mulher as localizações mais frequentes são a vulva e região anal, mas podem ocorrer na vagina e no colo do útero. No homem heterossexual é mais frequente na glande, mas pode localizar-se na uretra, pele do pénis, do escroto e circundante. Nos homens que praticam sexo com homens aparecem na zona genital e canal anal. São lesões benignas, que podem desaparecer sem tratamento, mas que podem progredir com rapidez, aumentando em número e volume.

Constituem a infeção sexualmente transmissível mais frequente e afetam principalmente jovens com idade inferior a 25 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade.


Verrugas vulva


Verrugas pénis


Quais os sintomas?

Nos casos mais simples, são lesões tipo verrugas, externas, pequenas, que na fase inicial podem passar despercebidas. Progridem e disseminam-se progressivamente, podendo ocupar toda a área genital.


Como se detetam?

O exame clínico é suficiente para estabelecer o diagnóstico, podendo ser útil o uso da lupa ou colposcópio para estabelecer o diagnóstico diferencial com a papilomatose fisiológica. Os condilomas têm a superfície externa irregular em "crista de galo". Só nos casos duvidosos está indicado fazer-se biópsia.


Como se previnem?

O preservativo masculino confere alguma proteção, mas não total, porque não cobre toda a área genital.

A imunodeficiência e o tabagismo são fatores predisponentes para a infeção.

A vacina quadrivalente contra o HPV é uma medida de elevada eficácia na prevenção de condilomas genitais e está indicada em ambos os sexos.

Doenças causadas
pelo HPV

Questões?
Resposta pelo especialista